Querida Coach,

Várias vezes você já me falou que uma empresa não é construída sob a égide da confiança, mas sim à luz de indicadores, dados, fatos e documentos. Porém, como mensurar isso nos momentos mais tenros onde estou despido de qualquer hierarquia?

Contratei recentemente, pela primeira vez, um gerente para cuidar das operações de minha empresa. Esse gerente é uma das pessoas mais engajadas e comprometidas que já tive em toda a minha equipe. Muitas vezes chego a me questionar se eu me dôo para a empresa tanto quanto ele.

Tenho vários fatos que me levam a crer que ele é uma pessoa de boa índole e por passarmos muito tempo juntos às vezes me percebo tratando-o como meu amigo pessoal, contando histórias de épocas passadas, abrindo segredos que há muito não me permiti contar para outras pessoas.

Não tenho interesse nenhum em mudar nosso relacionamento de profissional para pessoal pois percebo improdutividade em relações baseadas na amizade. O que sempre me deixou confusa é por que ajo de forma incoerente em relação ao que eu quero de fato.

Esses dias estava lendo uma matéria sobre comunicação não-violenta e nela estava dizendo que uma pessoa possui em média 4 pessoas com as quais ela possui um relacionamento profundo e de qualidade para estar psicologicamente saudável. Percebi que não tenho essas 4 pessoas. Não convivo com meus pais, não tenho sócios e nem amigos íntimos. Devo então me perdoar por de vez em quando ser amiga demais do meu gerente?

Na verdade, eu nem achava que essa proximidade pudesse ser um problema até que um dia comentei com ele um planejamento estratégico que eu estava em mente e percebi que ele ficou desconfortável. Isso porque nesse planejamento estratégico o contrato dele seria abalado de uma forma sutil. Ou seja, eu estava comentando com o meu próprio gerente algo sobre um futuro incerto que poderia afetar a vida dele, só que naquele momento eu estava falando como amiga e não como CEO. Desde então ele ficou meio preocupado e agindo de forma dispersa.

Consegui reverter a situação alguns meses depois, mas ainda me pego em flagrante compartilhando com os funcionários algo que não compete a alçada deles. Onde está o limite da gestão holocrática? Tudo o que temos feito até hoje foi no sentido de compartilhar o poder de decisão com os colaboradores para que eles possam se engajar mais e ter mais sentimento de dono. Só que tem um limite porque eles não são donos de fato!

Um funcionário nunca terá o mesmo reconhecimento, recompensa e remuneração do que o próprio sócio da empresa. E isso é tão confuso. Por um lado aprendo que devo ser líder, preciso compartilhar, planejar em conjunto, engajar a equipe. Por outro, devo me preservar contratualmente pensando nos problemas e percalços do caminho. É confuso, confesso.

De qualquer forma, obrigada por me ouvir.

Beijos,

W.

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