Querida Coach,

Nesse final de semana vivi a experiência mais confusa da minha carreira até hoje.

Fui convidada para participar de uma reunião de planejamento estratégico junto à um órgão internacional relacionado à área da saúde. A primeira coisa que pensei foi: será incrível pois a repercussão que o órgão me trará será imensa então eu só tenho a ganhar.

Ledo engano.

As pessoas lá presentes tinham uma perspectiva protecionista ultra-estatal, cheios de imposições estranhas sobre os empresários. Honestamente eu fiquei muito confusa: não sabia se deveria me manifestar ou não. Como você sabe, minha empresa é da área da saúde e trabalha com alimentos sem conservantes, livres de glúten e lactose. As medidas que eles estavam visando adotar a partir daquela reunião me favorecia enormemente, mas a maneira como eles chegavam às conclusões eram um tanto quanto deturpadas.

Durante o coffee-break uma pessoa comentou com a outra: “Engraçado né, não sei por que, mas a política de não usar canudos pegou super rápido e nem precisou de lei para as empresas aderirem. Já outras políticas que existem há muito mais tempo como das garrafas e copos reciclados são praticamente esquecidos”. Eu fiquei olhando para aquelas pessoas conversando e pensei: “Gente… Será que elas realmente não fazem a menor noção da resposta?!”.

Pra mim me parece muito óbvio! Tirar o canudo significa diminuir a despesa, comprar coisas recicladas significa aumentar a despesa porque elas são mais caras. Tão simples quanto parece! Se eu dissesse algo como isso para eles sabe qual seria a conclusão imediata? “Então vamos obrigar os produtores de garrafas e copos reciclados a diminuírem o preço para ser mais barato” ou “Então vamos dar um incentivo fiscal para os produtores de garrafas e copos reciclados”. Essa é uma ótica completamente deturpada.

O dinheiro precisa sair de algum lugar, alguém sempre vai estar pagando. É ilusão achar que quando o Estado força alguém a diminuir seu preço, esse preço não será repassado de alguma forma ao consumidor. Aí a culpa é do empresário? Por que a culpa é sempre do empresário e não do consumidor? Uma empresa só existe porque existem pessoas para comprar seu produto. Um exemplo excelente para isso é o Google Glass que custou muito dinheiro, muita pesquisa, muito tudo, mas no final das contas as pessoas não compraram com tanta força quanto era a expectativa. Se as pessoas continuarem comendo açúcar, vai continuar existindo alguém para vender o açúcar, seja no mercado normal, seja no mercado negro. Se as pessoas continuarem se drogando, vai continuar existindo alguém para vender drogas, seja no mercado normal, seja no mercado negro.

Minha impressão é que eles querem que exista uma sociedade onde as empresas vendem somente o que é bom para “todos” e não seguem a lei da oferta e demanda. Um lugar onde quase tudo é gratuito, mas os impostos são baixíssimos, os lucros das empresas são baixos e os empregados ganham salários altos e são promovidos todo ano. Um lugar onde as empresas ficam no prejuízo para garantir a saúde do trabalhador que recebe mesmo em meses e dias que ele não está produzindo absolutamente nada. Ou seja, o reino da preguiça onde ninguém precisaria sair da zona de conforto para ganhar muito e ter todos os seus direitos assegurados por uma outra pessoa ou entidade. Nossa, realmente sensacional.

O que mais me impressiona é que todas as políticas e leis que eles estavam sugerindo surgem a partir de pesquisas e dados estatísticos. Ex: observa-se que nos últimos 10 anos a quantidade de mulheres com câncer de mama reduziu em X% e isso coincidiu com algumas políticas estatais como redução dos produtos X, Y, Z, proibição de certos tipos de propaganda, altas taxas de impostos em produtos AB e regulamentação na produção de D, E, F. E aí eu te pergunto, Coach: os fins justificam os meios?

A finalidade que eles querem alcançar é super nobre: reduzir o câncer de mama. Mas a que preço? Cerceando o mercado, diminuindo a concorrência, favorecendo o monopólio e criando barreiras de mercado quase intransponíveis! E isso é suficiente? Não! Isso faz muito mais mal do que bem. Estatisticamente, a quantidade de pessoas que são ajudadas com esse tipo de política seriam ajudadas de qualquer forma com o passar do tempo, avançar da tecnologia e aumento da concorrência. Uma empresa que vende produtos sem açúcar tem o maior interesse do mundo em mostrar como o açúcar é extremamente maléfico para saúde e fazer muita propaganda disso, tanto é que agora ser fitness está na moda. Dieta paleolítica, low-carb, cetogênica, jejum intermitente, tudo isso sem intervenção estatal. Já dizia David Hume que um “dever ser” não deve derivar de um “ser”. Ou seja, não é porque álcool faz mal que álcool deve ser proibido. Se quiser saber mais depois dê uma olhada no Tratado da Natureza Humana a partir da página 509.

Gostaria poder te dar exemplos mais específicos, mas como você sabe, o conteúdo dessas reuniões são confidenciais.

Enfim, eu fiquei tão indignada que não participei mais de nenhuma reunião e me recuso a ficar incentivando qualquer tipo de política dessa forma.

E você, Coach, acha que os fins justificam os meios?

Grande Abraço,

R.

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