Querida Coach,

Sim, eu fui literalmente para cama com o dono de uma empresa no mesmo segmento que a minha.

Como você bem sabe, na minha empresa de hoje tenho um sócio em que estamos juntos em todos os empreendimentos que tenho há quase sete anos, somos carne e unha para tudo.

É ridícula aquela expressão, mas sabe quando… acontece? E quando você menos espera você está pegando alguém que você não deveria? Conversa de bêbado, né, eu sei. Talvez eu tenha de fato tomado uma ou outra taça de vinho nesse dia. Mas o problema real não foi esse.

Sabe aquela sensação de que você sabe que está fazendo algo errado, mas não quer parar para pensar sobre aquilo? Foi meu caso. Eu sabia que deveria ter falado para o meu sócio, mas de alguma forma eu não quis pensar sobre o assunto e acabei falando quando era tarde demais.

Nós temos um acordo: para que nossa sociedade funcione, que um sempre conte tudo o que está acontecendo com o outro a nível profissional e, se possível pessoal. Neste caso um afeta o outro então certamente cairia dentro da regra. Dentro da nossa sociedade não acreditamos muito na concorrência como competição, mas sim como uma cooperação. Porém, entre nós o conceito de traição comercial está muito mais ligada a não sermos transparentes um com o outro do que qualquer outra coisa.

Ou seja, em poucas palavras, eu o traí.

O estranho é que eu jamais me imaginei capaz disso. Como que ele ficou sabendo? Eu mesma contei. Por que contei? Em algum momento me veio na cabeça a pergunta “Se ele estivesse fazendo algo parecido comigo e não tivesse me contado, como eu teria reagido?” – e foi aí que eu percebi que algo de errado não estava certo.

Meu sócio ficou profundamente abalado e eu fiquei mais ainda porque tive que trazer lá da escuridão das minhas lembranças algo que eu estava fazendo muita força para fazer de conta que não tinha acontecido.

O resultado desse rolo? Minhas relações comerciais foram prejudicadas de ambos os lados. Por um lado eu não poderia mais ter mais nenhum tipo de relação comercial com as empresas do meu concorrente e, por outro, eu fiquei com um sócio ferido pelas minhas próprias garras.

Percebo que o problema maior não foi nem o que aconteceu, mas a maneira como tudo aconteceu, as mentiras que contei, as omissões que forcei e capacidade de manipulação malévola que percebi que tenho. Foi um episódio que, para quem olha de fora, pode ter sido superficial e até comum, mas para mim foi abominável.

Eu sempre fui uma pessoa que dizia ser ética, justa, assertiva e equilibrada em minhas relações, sempre contei para mim mesma que eu era uma pessoa que pensava evolutivamente e estava disposta a abrir mão de qualquer coisa em prol de um bem maior e um futuro estável e longínquo no longo prazo.

Porém, minhas atitudes foram inconsequentes e percebi que na verdade essa foi apenas a ponta do iceberg. Ninguém é justo, correto e ético e, do nada, está roubando milhões. Tudo começa nas pequenas ações “ah, é só uma mentirinha”, “é só uma coisinha sem importância”, “isso nem foi tão importante assim”. São mentiras que a gente conta pra gente mesmo e que vão crescendo ao longo do tempo. Antes era só um lápis que você pegava sem pedir emprestado e agora é um país inteiro em que você desvia bilhões.

Pense em um comportamento que, aos seus olhos, é deplorável. Agora fragmente isso em uma gama de micro ações que geram esse macro comportamento. Pense nas ações irrisórias, bobas, que podem culminar na grande ação deplorável. Agora seja sincero com você mesmo: tem certeza que você não se corrompe nas pequenas ações?

“Existe um poder no intercâmbio da vulnerabilidade”, já dizia Milton Erickson. Nós gastamos tanta energia para sustentar um personagem e mostrá-lo ao mundo. E como líder, é natural que esse personagem seja criticado paulatinamente – só que essas críticas abalam menos, porque elas dizem respeito a um personagem que eu criei e não realmente a quem eu realmente sou. E aí sabe o que acontece? Esse personagem passa a se aprimorar cada vez mais, agir de acordo com a demanda e se tornar um produto do mercado, aceitável, dócil, focado em resultados, porém humano. Enquanto isso, guardamos à sete chaves nosso verdadeiro eu, protegendo-o das intempéries do mundo.

O que eu aprendi com tudo isso é que se expor dói muito mais, mas o aprendizado é real e o crescimento também. Você deixa de ser produto de uma demanda e passa a ser uma pessoa verdadeiramente lapidada.

Enfim, coach, esse assunto me dói muito ainda e espero poder recuperar minha autoestima. Muito obrigada por estar aqui comigo, espero não estar incomodando.

Grande abraço,

P.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Salvar e compartilhar carrinho
Seu carrinho de compras será salvo e você receberá um link. Você ou qualquer pessoa com o link pode usá-lo para recuperar seu carrinho a qualquer momento.
Voltar Salvar e compartilhar carrinho
Seu carrinho de compras será salvo com fotos e informações do produto e Totais do carrinho. Em seguida, envie para você mesmo ou para um amigo com um link para recuperá-lo a qualquer momento.
Seu e-mail do carrinho enviado com sucesso :)

Join Our Newsletter!
Sign up today for free and be the first to get notified on new tutorials and snippets.
Subscribe Now
Join Our Newsletter