Querida Coach,

O que me deixa frustrada é o fato de ele não permitir que eu cuide dele. Ele é uma pessoa que quando está doente ou passando por qualquer turbulência psicológica, se fecha em seu próprio mundo e se tranca lá dentro. Sobe e desce montanhas-russas sofre tudo o que tem pra sofrer e depois sai lá de dentro sem compartilhar nada.

Metaforicamente falando, minha sensação é que ele estava sentado de cócoras balançando para frente e para trás devagar, submerso em suas próprias reflexões quando um dia eu sentei perto dele. Sentei e fiquei observando, sem interferir em sua privacidade. Ele tentou me afastar, tentou brigar, tentou mostrar seus próprios podres pra ver se eu saía de lá. Mas eu fiquei e continuei olhando, apaixonada. Como eu não ofereci risco, não tentei mudar o mundo dele, não forcei amizade e o conquistei devagarinho, ele me permitiu entrar dentro daquela esfera de proteção dele. No começo foi difícil porque eu tenho necessidade de sair, correr, pular, respirar um pouco e depois voltar e ele não aceitava isso. Hoje ele já aceita que nosso relacionamento tem três pessoas: ele, eu e nós dois.

Contudo, esse comportamento meio aspergiano às vezes me incomoda porque eu sinto vontade de cuidar dele, mas não posso porque ele não deixa. Não deixa eu dar remédio quando está doente, não deixa eu cuidar de uma ferida aberta, não me deixa levá-lo no hospital quando é necessário. E isso me fere! Entendo que não devemos impor aos outros nossas vontades, mas quando eu deixo de cuidar de alguém que eu amo me sinto muito impotente e triste, como se a pessoa estivesse arrancando de mim o direito de amar. Porque o amor não é só o sentimento, mas também ações que confirmam esses sentimentos. E quando eu não posso agir com amor é como se a forma como eu amo (cuidando) não fosse boa o suficiente.

Sentimento estranho né? Não sei porque sinto isso. Cada pessoa tem seu tempo, eu sei. E sei também que o que me faz feliz e me conforta, pode infelizmente ter a reação exatamente oposta na outra pessoa. Entendo tudo isso. Mas continuo me sentindo rejeitada e frustrada.

O que eu devo fazer?

Talvez eu não deva fazer nada e apenas me acostumar que a vida é assim mesmo. E essa acomodação, aonde vai me levar? Em 10 anos, com quantas coisas mais já terei “engolido goela abaixo”? Parar de tentar ou tentar sem parar?

Luz e sombra brigam de mim dia e noite. Isso é normal?

Não sei ao certo por que estou te contando tudo isso, havíamos combinado que eu te enviaria somente meus problemas empresariais, mas como ele é meu sócio fiquei na dúvida.

De qualquer forma, obrigada por me ouvir, me sinto eternamente grata pelo simples fato de você receber minhas cartas.

Grande abraço,

E.

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